| Segue
abaixo alguns procedimentos que utilizo e que talvez possam ser úteis
aos demais amigos. Tomei por base Cattleyas, mais creio que o conceito
também se aplica aos demais gêneros, talvez com algumas pequenas
variações.
1- Quando replantar uma orquídea?
Em geral, você só deve replantar uma orquídea quando
uma das seguintes situações ocorrer: a) A planta já
está começando a crescer para fora do vaso, b) o substrato
já está ficando deteriorado, c) a planta não se adaptou
a um tipo de substrato ou você sente que ela
está perdendo o vigor continuamente.
Replantar uma orquídea é sempre será um procedimento
que pode causar um desgaste a planta e por isso deve ser evitado. Se a
planta está com indo bem em geral ela não precisará
de novo replante por uns 3 anos, contados a partir do último replante,
pois este é tempo em o xaxim costuma levar para começar
a se deteriorar (sob condições normais). Outros substratos
podem levar mais ou menos tempo. O tipo de adubação que
você utiliza também pode contribuir para encurtar a vida
útil do substrato, uma vez que estimula a ação dos
microorganismos. É sabido que o uso de por exemplo torta de mamona
(um ótimo adubo por sinal) acelera este processo mais que uma adubação
química e foliar.
Se você notar que o substrato está ficando deteriorado você
deverá fazer o replante, pois do contrário as raízes
da planta apodrecerão o que irá comprometer bastante a saúde
de sua orquídea. Contudo se o substrato não esta ainda tão
ruim é melhor esperar pela época
adequada.
Se você perceber que uma planta esta parecendo desidratada apesar
de você regá-la adequadamente, isto pode ser um sintoma que
o substrato já apodreceu a muito tempo e as raízes também.
Esta não é uma característica de falta de água,
mas de apodrecimento das
raízes e portanto a planta não está mais tendo condições
de absorver mais a umidade gerada pelas as suas regas.
2) Qual a época adequada para se replantar uma orquídea?
Todas as orquídeas, em minha opinião, devem ser replantadas
durante o período em que seu sistema radicular está sendo
renovado e se expandindo, preferencialmente quando novas raízes
estão justamente começando a surgir do pseudobulbo mais
novo. Assim estas raízes crescerão rapidamente dentro do
novo substrato. Você só deve replantar uma orquídea
quando ela está em condições de se restabelecer rapidamente.
Portanto nós não devemos mexer com
uma orquídea quando a sua estação de crescimento
está terminada, pois ela não terá como formar novas
raízes por vários meses. Uma planta que é perturbada
nesta situação será forçada a gastar suas
reservas de energias por um longo período até poder emitir
novas raízes e isto será muito ruim para a saúde
da planta. Você pode acabar perdendo a planta.
Como a diversidade de espécies é enorme, durante o ano inteiro
haverá alguma planta que está renovando o seu sistema de
raízes. Assim eu não diria que há uma estação
do ano melhor ou pior para se fazer o replante. O que eu faço é
observar a plantar e ver quando as novas raízes estão surgindo
e então este é o momento do replante. Em geral, isto ocorre
menos no inverno, mas pode ser que você tenha uma planta que goste
de renovar suas raízes nesta época. Eu replanto minhas orquídeas
(Cattleyas) quando as raízes que estão surgindo no bulbo
mais novo estão com menos de um centímetro. Se elas estão
maiores que isto e o substrato ainda está bom então eu prefiro
deixar para a estação seguinte, pois a probabilidade de
se quebrar estas novas raízes é alta. Quando novas raízes
estão surgindo do bulbo mais novo, uma onda de atividade se espalha
pelas raízes mais velhas e destas começam a brotar muitas
ramificações. Por esta razão é preciso tomar
também bastante cuidado com estas raízes mais velhas e evitar
ao máximo de quebrá-las durante o processo de replante.
Assim procedendo creio que o você deu uma boa oportunidade para
a sua planta desenvolver um saudável sistema radicular.
3) Qual o
melhor substrato?
Esta é uma pergunta cuja a resposta depende do tipo de planta que
você está cultivando.
Existem plantas que crescem em galhos de árvores (epífitas),
outras que são terrestres e outras que preferem crescer sobre pedras.
Portanto dependendo do tipo de orquídea que você está
cultivando haverá sempre um substrato mais indicado. É preciso
conhecer um pouco sobre as características do habitat natural de
suas plantas. As plantas epífitas, em geral, estão adaptadas
para viverem grudadas as árvores, como o suprimento de água
nestas condições não é contínuo, elas
dependem muito da sua capacidade de absorver água
rapidamente, quer seja da chuva como da umidade do ar. Assim, as suas
raízes possuem uma cobertura esponjosa que se encharca rapidamente.
Do mesmo modo que as raízes se encharcam rapidamente, elas também
secam, uma vez que os galhos da árvores, em que elas estão
penduradas, também secam rapidamente tão logo a chuva passe.
Com isso, as plantas epífitas precisam secar rapidamente e terem
um bom arejamento para evitar que suas raízes
apodreçam. Portanto é importante que o substrato seja extremamente
poroso, drenando a água rapidamente e propiciando condições
de arejamento adequado.
As cattleyas e seus híbridos ( plantas com as quais a maioria dos
iniciantes começam suas coleções), que são
plantas de características predominantemente epífitas, crescem
bem em
diversos substratos que possuem as características citadas acima.
Os substratos mais comuns no Brasil são: xaxim, casca de árvores
e fibra de coco. O xaxim é sem dúvida o substrato mais utilizado,
mais facilmente encontrado e em minha opinião o melhor. Devemos
utilizar o xaxim desfibrado cujas as fibras sejam resistentes e livres
de muito pó. Deve evitar a todo custo plantar uma orquídea
em pó de xaxim (apesar deste produto ser mais fácil de se
encontrar), pois o pó de xaxim além de reter a água
por muito tempo é péssimo para a areação das
raízes. Algumas pessoas costumam cortar o xaxim em pequenos cubos
e plantar suas plantas assim. Particularmente já experimentei tal
procedimento com diversas plantas, quando
não me foi possível conseguir xaxim desfibrado, e não
gostei muito do desenvolvimento das plantas neste meio. Vale a pena, quando
não conseguir xaxim já desfibrado, desfibrar as placas com
a mão. O xaxim desfibrado não deixa o meio muito compactado,
permitindo que a planta seque rápido e haja uma boa aeração.
Existem contudo algumas cattleyas que dificilmente crescem bem em vasos
e necessitam serem plantadas em pedaços de casca de árvores
rugosas (peroba por exemplo) e posteriormente ficarem penduradas. São
plantas que precisam de uma aeração extremamente boa, a
qual não pode ser propiciada pelos vasos. Como exemplos destas
plantas temos:
Cattleya walqueriana, C. nobilior
e C. aclandiae. Plantar algumas destas plantas
em vaso é sempre um risco.
Quanto as orquídeas terrestres, não tenho muita experiência
com estas plantas e prefiro não comentar sobre os melhores substratos,
mas vale a regra: Observe o substrato nos quais estas plantas se desenvolvem
em seus habitates e tente reproduzi-los.
4) Que tipo
de vaso devo utilizar?
Os vasos podem ser confeccionados a partir de diversos materiais, como
por exemplo, barro, plástico, cimento, xaxim, cascas de árvores,
casca de coco, etc. Normalmente os mais utilizados e facilmente encontrados
são os de barro e os de plástico. As vantagens do vaso de
plástico são as seguintes: preço, peso, aspecto e
facilidade de limpar. Já os de barro possuem uma melhor aeração
e consequentemente retêm água por menos tempo. Os vasos de
barro são os preferidos pelo orquidófilos, uma vez que a
grande maioria cultiva suas plantas sob um ripado, telado, sob a sombra
de árvores e portanto não têm como controlar a água
das chuvas durante a estação chuvosa. Como os vasos de barro
secam muito mais rápido que os de plástico, esta qualidade
torna-se muito importante para evitar que o excesso de umidade e pobre
aeração prejudique as raízes das orquídeas,
notadamente as epífitas, que são mais sensíveis à
umidade.
Muitos orquidários comerciais que possuem estufas cobertas, e portanto
podem controlar a água das chuvas, preferem utilizar os vasos de
plásticos, principalmente pelo custo, facilidade de manuseio e
aspecto dos vasos mesmo depois de anos de cultivo.
O formato dos vasos varia muito. Existem formatos que são mais
apropriados para uma espécie do que para outra, contudo, como regra,
todos devem possuir uma boa capacidade de drenagem, propiciando um rápido
escoamento da água e terem furos largos o suficiente para evitar
entupimentos.
Para Cattleyas tenho utilizado vasos com um furo central e mais três
furos, formando uma espécie de triângulo, justamente na quina
formada pelo fundo do vaso e as paredes laterais.
Os furos possuem um diâmetro de cerca de 1,5 a 2 cm. Este tipo de
vaso evita que fique água estagnada no fundo mesmo quando em posição
um pouco inclinada.
Os vasos de barro usados devem ser evitados por dois motivos. O primeiro
é que podem vir a transmitir doenças ou vírus para
uma outra planta que venha a ser planta em vaso que já tenha sido
ocupado previamente por uma planta diferente. Isto pode ser evitado através
de uma correta esterilização do vaso. Mas a razão
principal, para utilizarmos um vaso novo, é que um vaso novo "respira"
muito melhor que um usado, que já está com seus poros entupidos.
Esta capacidade propicia uma melhor aeração e o substrato
seca mais rápido. Com um pouco de observação você
verificará que as orquídeas plantadas em vasos novos desenvolvem
um sistema radicular muito melhor do que aquelas plantadas em vasos usados.
Uma boa planta merece um vaso novo, já as outras fica a seu critério.
6)Como faço para replantar uma orquídea?
Supondo que a sua orquídea está precisando ser replantada
por alguns dos motivos já expostos anteriormente e que a época
é adequada. A primeira coisa a fazer é escolher um vaso
de tamanho adequado e que possua boa drenagem. Escolha um vaso que seja
capaz de permitir que a orquídea cresça por cerca de 2 a
3 anos, ocasião em que já estará precisando de um
novo replante devido a deterioração do substrato. Evite
vasos grandes em relação ao
tamanho da planta, pois como já foi mencionado é muito importante
que o vaso seque rápido evitando que as raízes fiquem úmidas
por um longo período, o que poderá causar o seu apodrecimento.
Em seguida retire a planta do vaso original. Normalmente quando não
há muitas raízes coladas nas laterais do vaso este é
processo bastante fácil. Com a ajuda de um lápis ou vareta
de bambu force a drenagem do vaso para cima, a partir dos furos do fundo.
Uma das vantagens de se utilizar vasos com vários furos no fundo
é que este processo torna-se bem mais fácil. Se a planta
estiver muito agarrada as laterais do vaso, pode ser necessário
que você tenha que cortar algumas raízes. Para isto, utilize
de faca previamente esterilizada e corte algumas das raízes que
estão segurando a planta passando a faca rente as bordas do vaso.
Uma vez que a planta está fora do vaso, retire o que puder do substrato
antigo evitando quebrar as raízes que estão vivas. Você
não precisa retirar todo o substrato antigo se isso for causar
um dano grande as raízes. Somente a maioria do substrato precisa
ser removida. Tome muito cuidado nesta operação, principalmente
para não danificar as novas raízes que estão surgindo
do pseudobulbo mais novo. Elas são muito sensíveis e se
danificam facilmente, o que impedirá o desenvolvimento posteriormente.
Estas raízes serão muito importantes para a perfeita adaptação
da planta no novo substrato, portanto todo cuidado com elas é pouco.
As raízes mais velhas e que ainda estão vivas devem, se
possível, ser deixadas intactas. Caso elas estejam muito grandes
e irão dificultar o posicionamento da planta no novo vaso elas
podem ser podadas, deixando-as com uns 5 cm. As raízes mais velhas
possuem a capacidade de se ramificarem, coisa que não acontece
com as raízes novas enquanto elas estão com poucos centímetros.
Por isso a preocupação em evitar danificar as raízes
novas que
estão surgindo do psedobulbo mais novo.
Quanto as raízes velhas e que estão mortas é conveniente
cortar todas, pois elas irão acelerar o processo de decomposição
do novo substrato. Caso haja uma grande quantidade de raízes mortas
e muito poucas raízes vivas, você pode deixar algumas com
o objetivo de conseguir uma maior estabilização da planta
no novo vaso.
Aproveite a ocasião para dividir a planta, se quiser, e fazer uma
limpeza nela, removendo restos de floração anterior e retirando
as partes secas coladas ao pseudobulbo (não junto ao rizoma), as
quais são esconderijos perfeitos para as cochonilhas e outras pragas.
Mesmo que você não queira dividir a planta esta é
uma boa ocasião para remover os psedobulbos mais velhos e que já
deixaram de contribuir para o desenvolvimento por não possuírem
raízes vivas e folhas. Para uma planta com uma única frente
deixe 4 ou 5 pseudobulbos, mais que isto irá forçá-lo
a utilizar um vaso excessivamente grande, o que não é bom,
e menos que isto irá
enfraquecer muito a planta. Pseudobulbos que estão mortos devem
ser removidos.
Uma vez que a planta já foi limpa e o substrato velho removido
é hora de plantá-la no novo vaso. Para isto deve-se inicialmente
colocar algum material de drenagem no fundo do vaso novo, com intuito
de facilitar o escoamento das águas e evitar que os furos fiquem
entupidos com o tempo. Como material de drenagem você pode utilizar
de cacos de telhas limpos, pedras, isopor e carvão. Particularmente
gosto de utilizar carvão devido a seu baixo peso e as raízes
gostam muito de se fixarem nele. Dizem também que ele aumenta a
vida útil do substrato.
Para plantar a parte da frente de uma divisão ou uma planta intacta,
segure ela de forma que o pseudobulbo mais velho fique encostado na parede
do vaso e a parte frontal da planta dirigida
para o centro, deixando um espaço suficiente para o desenvolvimento
de novos pseudobulbos para os próximos 2 ou 3 anos. O rizoma deve
ser posicionado a uma altura uma pouco abaixo
(1 cm ou menos) do nível da borda do vaso. Com a outra mão,
coloque algum substrato ao redor das raízes tomando cuidado para
não quebrá-las. Vá então adicionando mais
substrato sempre pelas laterais, de forma a ir acomodando as raízes
e firmando a planta. Coloque uma quantidade de substrato que seja suficiente
para dar um bom equilíbrio e firmeza para a planta.
A planta deve ficar firme no vaso e não balançando com facilidade.
Alguns livro recomendam
deixar o substrato bem compactado, mas sou contra tal procedimento. Gosto
de deixar firme o suficiente para o equilíbrio da planta, mas nunca
compactado, pois acredito que um substrato
muito compactado não permite uma boa aeração das
raízes e dificulta a penetração destas.
Se a sua planta possuía poucas raízes e não ficou
firme no novo vaso e esta balançando com facilidade, então
você precisa dar um suporte a ela de forma a não deixá-la
balançar com o vento, pois se ela balançar, as novas raízes
ficarão em atrito com o substrato e serão danificadas impedindo
o seu pleno desenvolvimento. Para isto utilize de algumas estacas de bambu
fincadas no substrato e amarre alguns pseudobulbos a elas.
É importante observar que o substrato não deve encobrir
as gemas existentes na base dos pseudobulbos e o nível deve ir
até encostar ao rizoma, não ficando nem abaixo e nem acima.
A planta deve ficar assentada na horizontal evitando inclinações
para cima ou para baixo.
Plantas recém envasadas devem ficar em um local em que recebam
um pouco menos de luz que o habitual e a folhagem umedecida mais freqüentemente,
mas evite regar o vaso. O substrato deve somente ser levemente umedecido
até que as novas raízes estejam com 4 ou 5 cm. Este procedimento
leva somente umas poucas semanas e você será bem recompensado
evitando regar o vaso, mas mantendo o meio levemente umedecido, bem como
as folhas. Se o substrato ficasse muito úmido neste primeiros dias
isto poderia levar ao apodrecimento das raízes mais velhas. Quando,
após estas poucas semanas de tratamento especial, você notar
que a planta já está restabelecida volte ela ao seu lugar
original e aos procedimentos normais.
Vale a pena lembrar a importância de somente utilizar ferramentas
devidamente esterilizadas neste processo, visando evitar a transmissão
de vírus de uma planta para outra, bem como outras doenças. |