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Bradea VM: 16.p. 89-91. 09.9.1998
Kleber Garcia de Lacerda Jr.
Dentro do
nosso estudo das espécies englobáveis no complexo cristatum
Lindl esta espécie descrita recentemente e relativamente rara
e apresenta reduzida área de dispers5o no Estado de Goiás.
no Planalto Central Brasileiro. Segue-se cópia de sua descrição.
Epiphyta robusta media. Species haec Catasetum cristatum
Lindl.
simili. Inflorescentia, mascula arcuata. Pedicelum, ad libellam direct
posite. Sepalae et petalae. linear-lanceolatae, pusilae rosae
maculatae, sepala dorsualis, erect. leviter concava, sepalae lateraliae,
concavae, valde reflexae, petalae convexae. Labellum, interum,
paulo carnosum, subtrigonum, cum exterioris partis brunis rosis et
inferioris partis viridis palidis, cum saquifomis partis mediocris et
paulo profundis in dimidium partis, apice cum calo carnoso
subtrigono, cum superficie glabra, base cum lateraliter bini cali
cornoformis; margilis labello, brevis carnosis ciliatis, similer linea.
plus densiter in apicalis partis. Columna. longiter rostrata, cum
antennis paralelis, in frontis flectit, inter bini calis basilaris transit
usque inedianum partis labellum, non superante et sine superficies
attingere.
Epífita
medianamente robusta para o gênero. Raízes
filiformes. com ate 2.5 mm de diâmetro, podendo originar raízes
adventícias mais delgadas. Rizoma curto. Pseudobulbos com até
13,5 cm de comprimento por 3,4 cm em seu maior diâmetro, agregados.
Multianelados, fusiformes, eretos, verdes, quando em fase de crescimento
lisos, recobertos com as folhas basilares, posteriormente sulcados longitudinalmente,
recobertos então pelas bainhas foliares remanescentes que com
o tempo também se decompõem. Folhas até 7 por pseudobulbos,
verdes, oblongo-lanceoladas, levemente arqueadas, com ate 35 cm de comprimento
e 5,7 cm na maior largura. Inflorescências masculinas basais 1
a 2, com até 31 cm de comprimento. emergindo do pseudobulbo ao
final de seu crescimento, no inicio quase eretas e depois arqueando-se
para baixo, com bracteas amplexicaules lanceoladas ate 4 desde a base
à metade da raque, a partir de onde apresentam até 18
flores ressupinadas. Brácteas florais gulares. apressas aos pedicelos.
castanho-esverdeadas, 0,9 cm de largura na base e 0,8 cm de comprimento.
Pedicelos cilíndricos, dispondo-se horizontalmente, com 3,6 a
4,21 cm de comprimento e 2,0 mm de diâmetro na porção
mediana, de coloração castanho-rosada, distantes entre
si cerca de 1,2 cm. Sépalas alvacentas com fina pigmentação
rosada, linear-lanceoladas, agudas, com bordas lisas, a dorsal ereta
ligeiramente côncava, com 2,94 cm de comprimento por 0,86 cm de
largura, as laterais côncavas bastante reflexas com 3,16 cm de
comprimento por 0,96 cm de largura, pétalas alvacentas com pigmentação
rosada densa fina e pigmentação grossa rosa escura esparsa,
linear lanceoladas, com bordo levemente ondulado, convexas, com 2,7
cm de comprimento por 0,75 cm de largura. Labelo ínfero, fomando
um ângulo de cerca de 90º em relação ao eixo
da coluna, pouco carnoso, subtrigono em seu âmbito em visão
superior, com a superficie externa de cor castanho rosada e a interna
verde alvacenta, com 1,5 cm de comprimento e 0,8 cm de largura na parte
basal, com porção saquiforme relativamente pequena e rasa
na porção media, mais clara e com escassa pigmentação
grossa rosa escura, no ápice apresentando protuberância
carnosa subtrigona com superfície lisa, de cor alvacenta, na
base apresentando duas protuberâncias corniformes de cor mais
clara, com 1,6 mm de altura, por entre as quais passam as antenas; toda
a margem do labelo provida de cílios curtos e carnosos verde
claros enfileirados mais densamente na porção apical.
com ate 2,4 mm de comprimento.
Coluna de
coloração castanho rosada clara, ereta, carnosa, acuminada,
com rostro sigmoide longo, com 1,8 cm de comprimento e 0,5 cm de largura,
antenas paralelas com 1,2 cm de comprimento, curvando-se para frente
para passar entre as duas calosidades basais do labelo e terminando
na parte média do labelo sobre a sua porção saquiforme,
sem tocar na superfície. Antera rosada clara, bilocular, com
1,56 cm de comprimento e 3,1 mm na maior largura, com longo prolongamento
rostral de cor alvacenta: polineas 2, amarelas, subovóides, assimétricas,
com ampla fenda longitudinal, com 4,2 mm de comprimento por 1,8 mm na
sua maior largura, estipete com 4,0 mm de comprimento por 2,1 mm na
sua maior largura, disco do viscídeo com
cerca de 1,8 m de diâmetro. Inflorescências femininas não
observadas.
Etimologia:
Nome em homenagem ao Sr Oswaldo Franchini, descobridor da espécie.
Tipo: Brasil.
Estado de Goiás. Município de Guarani de Goiás,
lat. 13º56'09" S. long.46º"28'49"W alt. 521
m. dendrícola em vegetação de Cerrado. Coll. K.G.
de Lacerda Jr. C127 XI.1988, florindo em cultivo em III, 1990, com 2
inflorescencias copm 15 e 9 flores masculinas ( HOLÓTIPO: BHCB
40.940 - flores masc.; ISÖTIPO: BHC 42.842 - Flores Masculinas.
Habitat e floração: Planalto Central do Brasil, no Estado
de Goiás,
epífita em árvores ocorrentes em região de cerrado,
a altitudes de cerca de 500 m. Emite hastes florais concecutivas, 2
a 3 ao ano, nos meses de janeiro a março, durante o final do
crescimento vegetativo. Na região ocorrem também Catasetum
fimbriatum (Morren) Lindl. & Pax.. Catasetum
spitzii Hoehne, Catasetum ornithoides
Pabst e Catasetum fuchsii Dodson & Vasquez.
Segundo seu descobridor, a área de ocorrência tem sido
desmatada aceleradamente nos últimos anos fins agrícolas,
o que coloca em risco de extinção a espécie.
Diagnose diferencial e comentários: O Catasetum
franchinianum apresenta porte mediano dentro do gênero,
comparável as, demais espécies do complexo cristatum no
qual se inclui. Difere morfologicamente das espécies afins principalmente
pela calosidade basal, sem proeminência ou esporão central
mas com duas protuberâncias corniformes dispostas lateralmente,
por entre as quais passam as duas antenas. Seus cílios, semelhantes
aos do Catasetum cristatum Lindl. em espessura e um pouco mais longos,
são mais carnosos do que os de Catasetum barbatum
(Lindl.) Lindl., Catasetum rivularium Barb.
Rodr., Catasetum carolinianum Miranda &
Lacerda e Catasetum arietnum Miranda &
Lacerda, e dispõem-se em uma única fila em toda a margem
do labelo. inclusive n ápice do mesmo. ao contrario das espécies
citadas. A coloração das flores masculinas de Catasetum
franchinianum de maneira geral é rosada, bastante
diferente das variedades das espécies afins.
Cultivando esta espécie em região vizinha à da
região de sua ocorrência, o autor observou intensa visitação
e retirada de polinários por abelhas do genêro Euglossa,
enquanto plantas de Catasetum barbatum (Lindl.)
Lindl. e Catasetum cristatum Lindl. provenientes
da Amazônia que estavam floridas ao mesmo tempo não eram
visitadas pelas mesmas abelhas, o que confirma a existência de
síndrome polinizadora própria e corrobora a diferencação
específica. |