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Bradea VII: 16. 90-94,09.9.1998
Esta espécie
recentemente descrita já é bastante difundida no Brasil
entre os colecionadores: originária dos Estados de Góias
e Mato Grosso, tem variação interessante de coloração
nas flores masculinas, o que a torna atrativa. Segue-se cópia
de sua descrião.
Epiphyta, robusta media. Species haec. Catasetum cristatum
Lindl. simili. Inflorescentia, mascula arcuata. Pediceli, longi paraleli.
Sepalae et petalae, linear-lanceolatae, flavae aut viridis-flavae, crassae
brunae purpurae maculatae, sepala dorsulali, erecta, leviter concava,
sepalae lateraliae, concavae, valde reflexae, usque pedicelum attingere,
petale convexae. Labellum, inferum, paulo carnosum, subtrapezoides,
simili coloris petalae et sepalae, aut roseum usque atropurpureum, cilii,
albi, flavi aut purpuri, in dimidium profundis et angustis saquiformis
partis, base cum calli carnosi tridentati, centralis majoribus, acuto
superioris partis flectit, apice cum calo scutulatis, glabro; marginis
labello glabris, in basis usque dimidium partis et valde reflexis et
densiter longis ciliatis usque apice. Columna, longiter rostrada, antennae
paralellae, leviter flectit, inter basalis dentis posit.
Epífita
medianamente robusta para o gênero, afim de Catasetum cristatum
Lindl. Raízes filiformes. com cerca de 2,5 mm de diâmetro,
podendo originar raizes adventícias mais delgadas. Rizoma curto.
Pseudobulbos de tamanho muito variável, com até 13.5 cm
de comprimento por 3.4 cm em seu maior diâmetro, agregados, multianelados,
fusiformes, eretos, verdes, quando em fase de crescimento lisos. recobertos
com as folhas basilares, posteriormente sulcados longitudinalmente,
recobertos então pelas bainhas foliares remanescentes que com
o tempo também se decompõe, até 10 por pseudobulbo,
verdes, oblongo-lanceoladas, com até 46 cm de comprimento e 9,5
cm na maior largura. Inflorescência masculinas basais 1 a 2 arqueadas,
com até 52 cm de comprimento, com bracteas amplexicaules lanceoladas
até 4 desde a base à metade da raque, a partir de onde
apresentam até 32 flores ressupinadas. Brácteas florais
triangulares, apressas aos pedicelos, castanho-esverdeadas, com 0,6
cm de largura na base e 0,9 cm de comprimento. Pedicelos cilíndricos
com 1,6 a 2,2 em de comprimento e 1,7 mm de diâmetro na porção
mediana, de coloração castanho-esverdeada. Sépalas
e pétalas linear-lanceoladas amarelas ou verde-amareladas com
pigmentação marrom
avermelhada esparsa e uniformemente distribuída, a sépala
dorsal ereta ligeiramente côncava com 2,1 a 2,3 cm de comprimento
por 0,7 a 0,8 cm de largura, as laterais côncavas refletindo-se
fortemente até cobrirem parcialmente o pedicelo, com 2,3 cm de
comprimento por 0,9 a 1,0 cm de largura, pétalas convexas com
bordas levemente onduladas com 2,2 a 2,3 cm de comprimento por 0,7 cm
de largura. Labelo ínfero, pouco carnoso. subtrapezoidal, com
1,5 a 1,8 cm de comprimento e 0,7 a 0,9 cm de largura na parte basal,
da mesma cor sépalas e pétalas ou de róseo a vermelho
intenso, com cílios brancos, verdes, amarelos ou com pigmentação
vermelha, com porção saquifome estreita e profunda situada
na porção média e geniculada em visão posterior,
na base apresentando calo carnoso tridentado com o dente central maior,
agudo e voltado para cima, no ápice apresentando protuberância
carnosa romboidal com superfície lisa; em algumas variedades
tais calosidades têm coloção distinta do restante
do labelo, margem do labelo glabra desde a base até a porção
mediana, a partir dai fortemente reflexa densamente provida de cílios
longos. Coluna ereta, carnosa, longamente rostrada, com 1,6 a 1,9 cm
de comprimento e 0,5 cm de largura, de coloração amarelo-esverdeada
a castanho-esverdeada, podendo apresentar pigmentação
castanho escura, com antenas paralelas com 1,0 cm de comprimento, ligeiramente
curvas, apoiando-se entre os dentes da calosidade basal. Antera da cor
da coluna, bilocular, com 0,7 a 0,9 cm de comprimento e 3,0 mm na maior
largura, com longo prolongamento rostral; políneas 2, amarelas,
subovóides, assimétricas, com ampla fenda longitudinal,
com 2,7 a 3,2 mm de comprimento por 1,4 mm de largura; caudículos
minúsculos elásticos, estipete com 2,5 a 3,5 mm de comprimento
por 0,6 a 0,8 mm na sua maior largura; disco do viscídeo com
cerca de 1,8 mm de diâmetro. Inflorescências femininas não
observadas.
Etimologia:
Epíteto alusivo ao aspecto do labelo, com partes semelhantes
a espada, tridente e maça, armas usadas por gladiadores (lat,
gladiadores = gladiador).
Tipo: BRASIL.
Estado de Mato Grosso, Município de Alto Garças, lat 16º58'38"
S, lon., 53º31'41" W, alt. 754m, epífita em palmeira,
coll. K. G. Lacerda Jr. C408 II.1995, florindo em cultivo em III. 1998,
1 inflorescência com 9 flores masculinas (HOLOTIPO: BHCB 42.842
- flores masculinas, ISÓTIPO BHCB 42.843 - flores masculinas
em sol. alcoó1ica). Estado de Goiás, loc. Ign., epífita
em palmeira, coll. A. Schimdt 9122 ?. 1992, florindo em cultivo de K.
G. Lacerda Jr. em II.1993, 1 inflorescência com 10 flores masculinas
e em III. 1993, 1 inflorescência com 12 flores masculinas (PARATIPO:
BHCB 42.844 - em sol. alcoó1ica); Estado de Goiás mun.
Morrinhos, lat. 17º43'54" S. long. 49ºO6'03" W,
alt.760 m. epífita em palmeira, coll. K. G. Lacerda Jr. C388
V. 1993, florindo em cultivo em III. 1994, 1 inflorescência com
32 flores masculinas (PARATIP0: BHCB 42.845 - em sol. alcoó1ica).
Habitat e floração: Catasetum gladiatorium
distribui-se por uma ampla área no planalto Central do Brasil,
nos Estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins, epífita
em palmeiras ocorrentes em região de pastagens artificiais e
cerrados, a altitudes entre 230 c 790 m, segundo dados de diversos coletores,
Emite hastes, florais consecutivas, 2 a 3 ao ano, nos meses de dezembro
a maio, durante o crescimento vegetativo. Na região ocorrem também
Ctsm spitzii Hoehne, Ctsm
fimbriatum (Morren) Lindl & Pax, Catasetum
rooseveltianum Hoehne, Ctsm galeritum
Rchb.F., Ctsm fuchsii Dodson & Vasquez,
Ctsm ornithoides Pabst, Ctsm
osculatum Lacerda & P. Castro., Ctsm
schmitdianum Miranda & Lacerda e Ctsm
vinaceum Hoehne.
Diagnose diferencial: O Ctsm gladiatorium
apresenta porte mediano dentro do gênero. comparável às
demais espécies do complexo cristatum no qual se inclui. A coloração
contrastante de seus elementos, em amarelo claro com pintas castanho-avermelhadas
e principalmente o labelo com partes rosadas ou vermelhas e cílios
esbranquiçados em algumas variedades, torna esta espécie
bastante atraente. Entretanto é na morfologia do labelo, que
apesar de ampla distribuição geográfica é
bastante estável, onde estão as principais características
diferenciais, pela calosidade basal tridentada bastante proeminente,
pela ausência de cílios na porçao proximal do labelo
que antecede a profunda porção saquiforme, e pela reflexão
acentuada da extremidade distal onde há longos cílios
densamente dispostos. As antenas projetam-se da coluna em direção
à calosidade basal quase retas, diferentemente de Ctsm
franchinianum Lacerda, no qual curvam-se fortemente para
a frente.
A maneira de distribuição de seus cílios não
é observada em
nenhuma outra espécie descrita do complexo cristatum. Finalmente
cabe observar que as políneas de Ctsm gladiatorium
são significativamente menores do que as das espécies
afins.
Comentários: Esta espécie aparece ilustrada na Flora
de Hohene, Vol. XII. VI. tab. 94. como Catasetum barbarum
(Lindl.)Lindl. var. spinosum Rolfe. com
resumo descritivo baseado em Rolfe
na pág. 127; tal descrição confere com a original
mas não se enquadra com o desenho apresentado. R. A. Rolfe (Lindenia
V01.VII. p. 23. Táb. CCXCVIII, 1891) considerou como variedade
de Catasetum barbatum (Lindl.) Lindl., pela
grande semelhança com esta espécie, plantas que floresceram
em Bruxelas e que eram conhecidas até então como Catasetum
spinnosum (Myanthus spinosus Hook. Bol. Mag., LXVII, t.
3802, 1841). W. Hooker fez sua descrição a partir de plantas
coletadas por M. Gardner no estado do Ceará, na Região
Nordeste brasileira. A descrição e a ilustração
da Lindenia conferem exatamente com o que hoje conhecemos das espécies
do complexo cristatum desta região, e em nossa opinião
é realmente uma variedade do Catasetum barbatum
(Lindl.) Lindl. como quis Rolfe, pois esta espécie distribui-se
amplamente em toda a região norte e parte vizinha do nordeste
brasileiro, com considerável variação de formas
e cores nas flores masculinas, mas não é encontrada em
regiões mais ao sul, com maior altitude e onde há inverno
mais frio ou com longa seca. Catasetum gladiatorium
ocorre na região centro-oeste do Brasil, cuja flora orquidológica
somente foi explorada a partir das expedições de Rondon
no período de 1908 a 1923, das quais botânicos como Hoehne
e Kuhlmann participaram e o coletaram (F.C. Hohene, Ind. Bibl. E M\um.
Pl. Com. Rondon, p. 167, 1967, 1951 - coll. 5869 em Cáceres,
MT) confundindo-o com Ctsm barbatum (Lindl.)
Lindl. var. spinosum Rolfe. Pela distribuição geográfica
e época de descrição fica ainda mais claro que
Ctsm gladiatorium é uma espécie
distinta e que não pode ser aquela variedade que Rolfe considerou
e que foi equivocadamente ilustrada por Hohene. |