| Catasetum
incurvum Klotzsch. Allg. Gartenzeitung 22:178. 1854; Gard. Chron. (1854)
4 e fig.
Catasetum saccatum Lindl. var. incurvum (Kl.) Mansf. Fedde Repert. 30:272.
1932.
Catasetum stupendum Cogn. Journ. Orch. 6:13. 1895; Lindenia11: t. 487.
1895.
Catasetum cruciatum Schltr. Orchis 9:29. 1915; 10:183, fig. 43, 1-7.
1916.
Catasetum trautmanii Senghas Orchidee 41:216. 1990.>
Em março
de 1985, excursionando na Província de Morona, no Equador, encontrei
uma planta Catasetum com vistosas flores de cor predominante castanho
claro, parecida com um Catasetum saccatum mas com labelo tão
grande quanto o de espécies como o Ctsm. pileatum
ou o Ctsm. expansum, entretanto dobrado
para trás no sentido longitudinal. Alguns meses após,
em Quito, encontrei-me com o Dr. Calaway Dodson, que estava publicando
os "Icones Plantarum Tropicarum", e ele tinha semi-pronto
um desenho do mesmo Catasetum que identificamos como sendo Ctsm.
stupendum Cogn. Depois verificamos ser o mesmo Ctsm.
incurvum Klotzsch encontrado no Peru - ou quem sabe no
Equador mesmo, pois naquela época as fronteiras entre os dois
países eram outras e a cidade de Iquitos, por exemplo, pertencia
ao Equador. Johann Friederich Klotzsch o descreveu em 1855 e sua primeira
ilustração foi publicada na página 4 da revista
Gardeners' Chronicle, em 1855. Seu holótipo foi destruído
em Berlim na segunda Guerra Mundial, mas Reichenbach efetuou um desenho
de uma das flores usadas por Klotzsch na descrição, o
qual foi considerado lectótipo por Gustavo Romero e Rudolf Jenny.
Na mesma região também encontrei outras espécies
de catassetíneas que se distribuem desde o Brasil, como Catasetum
saccatum LIndl., Catasetum collare
Cogn. (com suas características folhas azuladas), Cycnoches
haggii Barb. Rodr. E Clowesia amazonica Lacerda &
P. Castro.
Sem dúvida trata-se de uma espécie bem próxima
de Ctsm. saccatum Lindl., sendo as seguintes
as principais diferenças em relação a este:
- labelo amplo, suboval, sem lobos laterais evidentes, inicialmente
plano e depois dobrando-se longitudinalmente; - haste floral ereta,
podendo curvar-se um pouco com o peso das flores, mas nunca pendentes
como em Ctsm. saccatum;
- geralmente poucas flores masculinas por haste, 3 a 6, enquanto em
Ctsm. saccatum é comum mais de 12 flores, não
raramente até mais de 20 flores por haste;
- pode ocorrer em altitudes acima de 800m, enquanto Ctsm. saccatum
predomina abaixo de 400m (geralmente entre 100 a 200 m de altitude).
Esta espécie ocorre no Equador, e no Peru até as fronteiras
com o Brasil. Encontrei Ctsm. incurvum em
altitudes de 800 a 900 m, e Klug o encontrou nas vizinhanças
de Iquitos a 100 m.a.m., mas há citações de Schunke
e Woytkowski que o coletaram no Peru entre 1000 e 1700 m de altitude,
o que coloca, juntamente com Ctsm. costatum
Rchb.f. e Ctsm. lanciferum Lindl., entre
as espécies deste gênero que ocorrem acima de 1000 m.a.m.
Na Lindenia há um excelente desenho que mostra o então
denominado Catasetum stupendum, aqui reproduzido,
e um texto de A. Cogniaux com a descrição e comentários;
chegou em uma remessa de plantas do Peru e mesmo sendo inverno na época
(1893) floresceu nas estufas da Sociedade Orquidófila de Bruxelas,
causando sensação.
Ctsm. incurvum ainda é raro em coleções
e apresenta grande potencial para hibridação, devido ao
tamanho das flores masculinas e maior adaptabilidade a baixa temperatura
que os congêneres.
A seguir apresentamos uma resumida descrição da espécie.
Planta robusta, tamanho variável, epífita. Pseudobulbos
fusiformes, 5 a 25 cm de comprimento e 3,5 a 6 cm de diâmetro,
folhas oblogolanceoladas ou elíptico-lanceoladas até 8
com até 46 cm de comprimento e 8,5 cm de largura. Rizomas curtos
e raízes fasciculadas com cerca de 4mm de diâmetro. Hastes
florais masculinas basais, eretas com arqueamento distal, com cerca
de 40 cm verificadas até 6 flores. Pedicelos espaçados
em cerca de 4 cm, com cerca de 5,5 cm de comprimento, com brácteas
adpressas, com 1 cm de comprimento. Sépalas estreitas, elípticos-lanceoladas,
côncavas, com até 7 cm de comprimento por 1 cm de largura,
as laterais curvadas para baixo, pétalas um pouco menores, oblíquas,
coniventes com a sépala dorsal, ambas verde claras a castanhas
podendo ter pigmentação castanha fina e dispersa ou muito
intensa conferindo cor marrom escura aos pigmento. Labelo de formato
variável desde oval ou suboval a subcordato, raramente orbicular,
convexo, às vezes com lobo apical oblongo pouco distinto, margens
fimbriadas a laceradas, disco convexo antes do porção
mediana com saco cônico reniforme de bordas elevadas, coloração
de verde a castanho clara com pigmentação fina difusa
mais escura, às vezes intensa e confluente formando manchas.
Coluna robusta e curta, subclavada, com 5,5 cm de comprimento, com rosto
apical longo, com um par de antenas assimétricas de 3,5 cm de
comprimento, uma das quais dirige-se em direção ao labelo
passando sobre o óstio da porção saquiforme. Polinário
completo como ocorre no gênero. Inflorescências femininas
eretas, com 2 - 4 flores verde-amareladas podendo ter pigmentação
castanha e a superfície interna do labelo marrom; sépalas
e pétalas elípitico-lanceoladas agudas, com 7,5 cm de
comprimento e 2,9 dm de largura, labelo súpero, carnoso, profundamente
saquiforme, levemente compresso lateralmente, com margens discretamente
fimbriadas; coluna robusta e curta, com 1 cm de comprimento, óstio
do estigma transversal e estreito, rostrada no ápice, sem antenas. |