ABRACC Ano VI - nº 21

  Catasetum João Stivalli

 

A hibridação de Catasetum tem uma história muito recente no Brasil. Foram feitos alguns cruzamentos no passado por alguns orquidófilos, mas infelizmente não se preocuparam em fazer o registro junto ao órgão International Registration Authority for Orchid Hibrids, procedimento que deve ser tomado, para que se confirme ou não a existência do cruzamento.
Após a criação da ABRACC em 1995, projeção de slides nos simpósios promovido pela Associação dos Orquidófilos de Assis, Chácara Bela Vista e ABRACC, e recentemente a divulgação de mais fotos no nosso jornal, vem despertando o interesse de muitos orquidófilos no cultivo das Catassetíneas.
Já saiu uma pequena matéria na edição do jornal da ABRACC, número 14, em junho de 1998 e quero falar mais um pouco da história e a beleza deste hibrido.
João Stivali, membro do Circulo RioClarense de Orquidófilos, realizou vários cruzamentos de Catasetum e outros generos de orquídeas, mas para mim o que obteve maior sucesso, com flores grandes e colorido variado, foi o Catasetum João Stivalli. Há mais de dez anos, ao entrar no seu orquidário, João Stivali deparou com uma flor feminina do Catasetum Mary Spencer (Catasetum pileatum x Catasetum trulla) e como havia uma flor masculina do Catasetum pileatum imperialis, não teve dúvida, tirou uma polinea e fez a fecundação.
Do período de formação da cápsula, semeadura, plantio no coletivo e depois a separação individual das mudas até o crescimento, que pode levar de 2, 3 a 4 anos, um tempo que parece uma eternidade, desperta nossa expectativa quando a primeira haste floral começa a sair na base do pseudobulbo e aguça mais ainda nossa imaginação. Fazemos muitas perguntas. Que cor serão as flores? O labelo será grande ou pequeno? O cacho será comprido, curto, com pouca ou muitas flores? Após um período de longa espera as primeiras flores começaram a abrir. Várias vezes tive que controlar meu impulso na tentativa de querer forçar a abertura de uma flor, para ver a cor e como seria o formato do labelo. Dois dias depois, acordei bem cedo, fui rápido para dentro do orquidário. Lá estavam abertas, belíssimas flores, majestosas, bem distribuidas em hastes arqueadas, de uma beleza como não tinha visto dentre outros hibridos de minha coleção.
Catasetum João Stivalli possui flores vistosas, quando bem cultivadas podem apresentar 10 a 15 flores por haste, com coloração variada do labelo, tons que vão entre o rosa pálido ao rosa escuro, vermelho claro ao vinho bem escuro, branco ao amarelo-alaranjado. Algumas flores sairam totalmente albas, enquanto outras sairam albas com o centro do labelo na cor amarelo ouro e mais para o interior do calo verde-claro. Em outra variedade as flores possuem pétalas e sépalas vermelho na parte frontal e a dorsal vermelho em suas margens e esverdeado para a base, labelo vermelho sangue nas extremidades, escurecendo na cor vermelho-sangue para o centro do labelo. Temos a variedade rosa, com suave estrias levemente rosadas nas sépalas e pétalas, labelo rosa com o interior do calo na tonalidade verde e uma mancha róseo claro que vai do centro ao ápice do labelo. Algumas plantas possuem pintas e manchas escuras nas sépalas e pétalas difundindas também na parte central do labelo com tonalidade mais clara na fauce, formando um belo contraste.
A cada floração Catasetum João Stivalli surpreende e impressiona com o colorido intenso de suas flores e exuberante floração, para mim está entre um dos mais belos hibridos feitos até hoje, uma jóia com a ajuda da mão do homem, hibrido que precisa ser refeito para que atenda a grande procura por parte dos amantes de Catasetum.
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