ABRACC Ano IV Nº 15

 Catasetum maranhense Lacerda & da Silva

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Trata-se de uma espécie de Catasetum (Kunth) L. C. Rich. (Catasetinae, Orchidaceae), subgênero Orthocatasetum, seção lsoceras, ocorrente na Região Nordeste do Brasil. Segue-se descrição conforme original.

Epiphyta robusta. Pseudo-bulbi fusiformae longati. Folii lanceolati curvi. Inflorescentia, mascula, flores in tertio terminali. Petalae et sepalae elipticae, acutae, concavae, tangendo columnam et lobi laterali labelli. Labello inferior, globoso, carnoso, trilobato, lobi lateralli ereti cum margi laevi aut ciliati, lobo mediano acuto cum margi laevi, ostio labelli lato, subquadrato. Antennae, paralellae, convergenti, in interiori superficies saccato pars labelli.
Epífita em palmeiras, robusta para o gênero. Raízes filiformes com até 2,4 mm de diâmetro, podendo originar raízes adventicias mais delgadas. Rizoma curto. Pseudobulbos com até 30 cm de comprimento por 4,0 cm em seu maior diâmetro, agregados. multianelados, fusiformes, ligeiramente inclinados e por vezes curvados para baixo, verdes, quando em fase de crescimento lisos recobertos com as folhas basilares, posteriormente sulcados longitudinalmente, recobertos então pelas bainhas remanescentes que com o tempo também se decompõem. Folhas até 13 por pseudobulbo, verdes, oblongo-lanceoladas, arqueadas para baixo, com desde 15 cm de comprimento e 2 cm de largura até 35 cm de comprimento e 4,8 cm na maior largura, próxima à base. Inflorescências masculinas basais 1 a 3, com até 42 cm de comprimento, emergindo do pseudobulbo durante o desenvolvimento do mesmo, inicialmente quase horizontais, com brácteas amplexicaules lanceoladas até 7 desde a base até o terço distal; da raque, a partir de onde arqueiam-se mais acentuadamente e apresentam flores ressupinadas até 31. Brácteas florais triangulares, apressas aos pedicelos, com 0,6 cm de largura na base e 1,0 cm de comprimento. Pedicelos cilíndricos, sig-móides, com até 1,7 cm de comprimento e 1,4 mm de diâmetro na porção mediana, de coloração verde, dispondo-se em seu âmbito quase horizontalmente, com espaçamentos variáveis entre 0,3 e 1,8 cm. Sépalas verdes claras, podendo apresentar pigmentação castanha puntiforme, elípticas, agudas, fortemente côncavas, com bordas lisas, a dorsal simétrica com 1,6 a 1,8 cm de comprimento por 0,7 a 1,1 cm de largura, cobrindo parcialmente as pétalas. as laterais assimétricas, com 1,7 a 1,8 cm de comprimento por 0,7 a 1,1 cm de largura, cobrindo quase totalmente as pétalas e os lobos laterais do labelo; pétalas verde claras podendo apresentar pigmentação puntiforme castanha elípticas, côncavas, simétricas, com 1,7 a 1,8 cm de comprimento por 0,8 a 1, 1 cm de largura, cobrindo o dorso da coluna e bordas dos lobos laterais do labelo; quando a flor está prestes a fenecer estes elementos refletem-se um pouco expondo mais a coluna e os lobos laterais do labelo. Labelo ínfero, globoso, carnoso, saquiforme oblongado, verde com o interior mais claro ou amarelo esverdeado com estrias longitudinais verdes, trilobado, lobos laterais eretos até a altura da coluna, ocultando-a lateralmente, com margens lisas ou serrilhadas ou ainda discretamente ciliadas, lobo apical pequeno, mais espesso, com margem lisa e a extremidade acuminada trigono aguçada; óstio do labelo relativamente amplo, subquadrado com 0,9 a 1, 1 cm de largura e 0,7 a 0,9 cm de altura desde o ápice até o rostro da coluna; porção saquiforme com 1,6 cm de fundura. Coluna com 1,2 cm de comprimento e 0,4 a 0,5 cm de largura acuminada, com rostro encurvado, antenas paralelas com 0,95 a 1,30 cm de comprimento, convergindo distalmente e dispondo-se sobre a superfície interna do fundo do labelo, acompanhando sua curvatura em sentido anterior. Antera verde alvacenta, bilocular, subtrigona, curtamente rostrada, com 0,5 cm de comprimento e 0,28 cm na maior largura; políneas 2, amarelas, subovóides, assimétricas, com ampla fenda longitudinal, com 0,36 cm de comprimento por 0, 17 cm de largura; caudículos minusculos elásticos, estipete com 0,4 cm de comprimento por 0,23 cm na sua maior largura; disco do viscídeo com cerca de 0,25 cm de diâmetro. Inflorescências femininas não observadas.

Etimologia. Nome em homenagem ao Estado do Maranhão, de onde procederam as primeiras plantas estudadas, em 1983.

Habitat e floração. Nordeste do Brasil, nos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará e Tocantins, epífita em palmeiras de babaçu (Attalea speciosa Mart. ex Spreng) ocorrentes em matas de galeria de cerrado, a altitudes de 70 a 400 m. Floresce predominantemente nos meses de março a junho em seu habitat natural, até 3 vezes ao ano.

Comentários. 0 Catasetum maranhense foi estudado a partir de 1983 em material coletado, em palmeiras babaçu por João Batista F. da Silva no município de Tuntum, no Estado do Maranhão, quando floriu em junho deste ano em cultivo de Kleber G. de Lacerda Jr. Nesta mesma região foram encontradas espécies de Catasetum do complexo cristatum. Posteriormente, em março de 1992, floriram em cultivo plantas coletadas em Teresina, Estado do Piauí, com semelhanças tanto na parte vegetativa quanto na morfologia floral e fenologia. Outras coletas desta espécie foram feitas nos municípios de São Domingos do Maranhão (JBFS 90), Tutóia (JBFS 350) e Alto Parnaíba (JBFS 349), Estado do Maranhão, em Esperantina (JBFS 338), no Estado do Piauí, e em Nazaré (JBFS s/n) e Tocantinópolis (JBFS s/n), no Estado de Tocantins; material depositado MG. Há evidências de prováveis híbridos naturais entre Ctsm maranhense e espécies de Catasetum com complexo cristatum, com prevalência relativamente grande na região onde coexistem no Maranhão. Apesar de haver sido citado para vários Estados, foi encontrado sempre na mesma espécie de palmeira, o babaçu (Attalea speciosa Mart. ex. Spreng), abundante em matas de galeria de cerrados, mais úmidas.