ABRACC Ano IV Nº 15

 Mormodeas tapoayense Miranda & Lacerda.

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. . Trata-se de uma espécie de Mormodes Lindl. descoberta no estado de Rondônia por Kleber Lacerda em 1991, que apresenta grande variabilidade de colorido. Segue-se descrição conforme original.

Epiphyta mediocris; pseudobulbis ovato-ellipticis, foliis Iineari-lanceolatis. Inflorescentia erecta, densiflora. Flores castaneoroseis pallidis dense castaneo-maculatis labello flavo-roseis dense cantaneis maculatis, ovario pedicellato arcuato suberecto, sepalis acutis, dorsali lineari-lanceolato cum petalis conniventi, columnan proxime, lateralibus linearibus-lanceolatis, rellexis, petalis linearibus-lanceolatis acutis, labello glabro, leviter trilobo apice, marginibus reflexis, transverse subeliptico truncato apiculato, columna torta, clinandrio rostrato.

Dendrícola, mediana no gênero. Raízes filiformes com
ate 2,5 mm de diâmetro. Pseudobulbos agregados, multianelados, eliptico-lanceolados a fusiformes, um pouco mais largo para sua base. eretos, ligeiramente achatados lateralmente, verdes, durante seu ciclo de crescimento lisos e posteriormente irregular e longitudinalmente sulcados e então revestidos pelas bainhas foliares remanescentes que com o tempo também se decompõem, com até 12,5 cm de comprimento e 3,1 cm de diâmetro. Folhas ate 8-10 por pseudobulbo, oblongo-lanceoladas com bordos ondulados, arqueadas, atenuadas em pseudopeciolos para suas bases, verde-médias, com ate 29 cm de comprimento e 3,5 cm de largura. Inflorecências se originando nas junções dos entre nós, desde pouco acima da base dos pseudobulbos até quase metade de sua altura, eretas. densiflora, castanho-purpureo escuras, 2-4 aneladas e ai com bracteas amplexicaules lanceoladas e laxas com ate 8 mm de comprimento, com ate 25 ou mais flores resupinadas, eretas, fortemente agrupadas desde quase a base, com até 10 cm de comprimento e 5 mm de diâmetro. Bracteas florais livres dos pedicelos, triangulares, com até 7
mm de comprimento. Pedicelos cilidricos. Curvados para cima, castanho-purpureo escuros, com ate 2,2 cm de comprimento e 1,5 mm de diâmetro. Sépalas castanho avermelhadas, com máculas pouco distintas mais escuras, linear-lanceoladas, a dorsal mais estreita, côncava com bordos ligeiramente reflexos e formando com as sépalas com as quais se dispõe subdecurrente uma cobertura côncavo próxima mas não direlamente sobre a coluna, com até 2,4 cm de comprimento e 4,5 mm de largura, as laterais linear-lanceoladas, irregularmente côncavas e reflexas a ponto de se tornarem decurrentes com o pedicelo, com ate 2,3 cm de comprimento e 6,5 mm de largura. Pétalas com a mesma coloração, liner-lanceoladas, aguda, côncavas com bordos ligeiramente reflexos, com ate 2,2 cm de comprimento e 6 mm de largura. Labelo amarelo, verde-amarelado ou rosado, densamente maculado em castanho a purpúreo, glabro, inteiro ou mais exatamente com tenue lobamento próximo ao ápice, com margens reflexas a ponto de se tocarem, com istmo estreito progressivamente mais largo e a um pouco mais de 1/3 de seu comprimento bruscamente se alargando e se tornando orbicular a transversalmente subeliptico, no quarto final com depressão onde a coluna se toca, no ápice tenuemente truncado e longamente apiculado, com até 2,5 cm de comprimento e 1,9 cm de largura. Coluna com a mesma coloração do labelo, apenas com maculas menores, torcida em aproximadamente 90', voltada para fora em relação eixo da inflorescência e tocando o labelo, subcircular em seção, com clinândrio alargado e subtriangular no ápice com longo filamento, com até 1,5 cm de comprimento e 1,5 mm de largura; antera subtriangular, longamente acurninada, polinári com 2 políneas elipticas, caudículos extremamente elásticos, estipe subtapezoidal e viscidio subcircular fortemente viscoso; cavidade estigmática subtrapezoidal, separada da antera por rostelo pouco carnoso. Fruto não observado.

Etimologia: Nome em referência a tribo de indios Tapoaya, habitantes dos arredores da localidade de origem.

Tipo: BRASIL, Estado de Rondônia, Municipio de Ariquemes, rodovia BR-364, arredores do Km 132; coll. K. G. Lacerda Jr. M043,II,1991, florindo em cultivo IV,1991,(HB).

Plantas de Mormodes tapoayense ocorrem em árvores sobre afloramentos rochosos. Foram encontradas relativamente poucas plantas da espécie, ocorrendo misturadas com, entre outras, Mormodes densiflora Miranda, Mormodes hoehnei Miranda & Lacerda, Ctsm denticulatum Miranda, Ctsm complanatum Miranda & Lacerda e Ctsm ariquemense Miranda & Lacerda, e a variação de colorido é grande considerando a pequena quantidade de exemplares. Essas variações são mais pronunciadas no labelo, que pode ser verde-amarelado a amarelo-áureo, e mais raramente apresentando-se rosado, sempre maculado em castanho a purpúreo. Isso é verdadeiro ao menos nos exemplares examinados. mas o gênero é pródigo em variações de colorido, de modo que exemplares sem máculas podem bem ser esperados. A espécie é muito característica com suas hastes eretas, compactas e flores com labelo sempre voltado para cima, o que não é observado nas outras espécies do gênero. Em termos de afinidades, pelas maculas aproxima-se de Mormodes densiflora, mas as bastes florais não são tão compactas quanto nesta espécie. Também, flores de Mormodes desinflora não apresentam labelos súperos. Isto serve apenas para inferir afinidades com espécies simpátricas, e de qualquer maneira não foi observada possível hibridação natural entre estas espécies. Em termos mais gerais, os labelos nitidamente súperos são características comuns com Mormodes issanense Miranda e Lacerda, que entretanto é completamente diferente em tudo, desde disposição das flores na haste, forma dos segmentos, coloração, e finalmente distribuição geográfica.


Consulta: FLORA BRASILICA DE F. CHOISHNE