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Texto 1 - Ilustração
Botânica - Uma arte Milenar
A
arte de ilustrar plantas é muito antiga e apreciada por
povos do mundo inteiro. Desde o tempo dos faraós no Antigo
Egito os homens costumavam usar a forma dos vegetais para decorar
paredes, vasilhas e vestimentas.
Com o desenvolvimento das civilizações
a arte botânica evoluiu tanto, a ponto de ser usada para
descrever com detalhes uma planta tal qual um texto científico
o faz , hoje em dia. Surge então a figura do ilustrador
botânico, aquela pessoa que se especializa em ilustrar
para a Ciência, contribuindo para a divulgação
dos conhecimentos científicos relacionados com a flora
em geral.
Até pouco tempo atrás
(fins do séc IXX e começo do séc. XX) ,
os naturalistas- cientistas viajantes que percorriam os continentes
conhecendo e registrando os ambientes, animais e plantas, não
possuíam outro recurso além dos próprios
olhos, mãos e lápis para registrar o que viam.
Faziam seus primeiros esboços no próprio ambiente
onde estavam e depois de retornarem da viagem, em seus estúdios
e laboratórios elaboravam belíssimas pranchas detalhadas
que são consideradas , hoje, verdadeiras obras de arte
A Ilustração botânica
portanto, na arte de representar uma planta com a maior fidelidade
possível , garantindo perfeito reconhecimento do vegetal.
Através de aprimoramento técnico e artístico,
o ilustrador capta todas as características formais da
planta , traduzindo-as num trabalho expressivo, capaz de sensibilizar
o observador.
Na atualidade, mesmo possuindo
equipamentos fotográficos de alta resolução,
pantógrafos, computadores gráficos de adiantada
tecnologia, a arte botânica sobrevive pelos seguintes motivos:
1) nem a fotografia é capar de registra uma imagem focalizando-a,
isto é, deixando nítida a imagem em todos os pontos,
ao mesmo tempo, independente da posição e do tamanho
do vegetal . Essa é uma característica do desenho
e de técnicas próprias desenvolvidas pelos ilustradores.
2) A arte de desenhar e pintar são uma atividade desenvolvida
pelo ser humano e como tal, traz uma satisfação
enorme para quem a pratica e também para quem observa
os resultados . Há sempre uma boa dose de emoção
e sensibilidade que permeia toda atividade artística e,
o uso das máquinas por mais evoluídas que sejam,
não consegue substituir.
A computação gráfica,
hoje em dia tão difundida, se presta a inúmeras
tarefas que facilitam o trabalho do desenhista , em geral ( quadrinistas,
projetistas, designers, etc.), mas no campo específico
da ilustração científica ( botânica
e zoológica) nada substitui a velha arte de observar,
desenhar e pintar da forma mais tradicional possível,
como faziam os homens das cavernas.
Texto 2 - O trabalho
do ilustrador botânico
Dando seqüência ao
artigo anteriormente publicado neste mesmo periódico abordaremos
agora aspectos relacionados com a arte de ilustrar plantas, propriamente
dita.
Como todo processo de profissionalização,
o desenvolvimento deste ofício é de natureza lenta
e progressiva e vai se fundamentando com a prática , quase
diária, da atividade. Para se tornar um ilustrador botânico
não falamos de início em "talentos inatos"
como única condição para a formação
do artista. Partimos do pressuposto que uma pessoa goste de desenhar
, que , ao longo de sua vida , tem aproveitado momentos oportunos
para praticar o desenho. Somado a isto temos que considerar também
o gosto e certo grau de sensibilidade às causas ambientalistas,
fator importante e motivador para a prática da arte botânica.
Aí temos os ingredientes necessários para a formação
do artista botânico.
Os passos do trabalho do trabalho
do ilustrador botânico, em linhas gerais, são:
1- Observação e análise do material a ser
registrado;
2- Elaboração de esquemas gráficos (esboços)
evidenciando formas e proporções ;
3- Registro gráfico de texturas características
do vegetal, do volume, detalhamentos e cortes do material em
estudo;
4- Transporte da figura para o papel definitivo;
5- Acabamento do trabalho (artefinalização) que
pode ser em branco e preto utilizando-se o grafite ou o nanquim
e também em cores ,empregando geralmente a aquarela ,neste
caso .
Como vemos, não se trata de um trabalho rápido.
Desde a primeira etapa usamos muita atenção e concentração,
observamos todas as características do vegetal como forma,
tamanho, tonalidades, textura da superfície das folhas,
tipo de nervuras, disposição das folhas e ramos
ao longo do caule, peças que compõe as flores,
enfim, todas as características que, em conjunto, nos
auxiliem a descrever graficamente o vegetal.
Ao lado dos aspectos puramente descritivos da ilustração,
há também os de caráter expressivo,isto
é , os que dizem respeito mais diretamente à arte
gráfica ou pictórica. A utilização
de conteúdos artísticos na obra é que garante
a marca do artista , a personificação de sua obra
, sua forma de expressão , sem os quais não poderíamos
considerar 'artística' esse tipo de atividade. Denominamos
propriamente "Arte botânica" pois o ilustrador
para produzir uma obra realmente bela, que impressione o observador
, terá que usar dos recursos das artes plásticas
como movimento, ritmo, equilíbrio , buscando a harmonização
de sua composição artística.
Os fundamentos estéticos que norteiam a arte botânica
estão embasados em princípios do Naturalismo Científico
corrente artística surgida ainda no Renascimento com os
trabalhos de Albretht Dürer, Leonardo da Vince e André
Vesálio . Ao longo dos grandes movimentos artísticos
que se sicederam, do Barroco do século XVI ao Romantismo
e Realismo do XVIII-XIX, a ilustração botânica
foi adquirindo nuances de naturalismo/romântico, naturalismo/realístico.
A vida do ilustrador botânica
é cheia de surpresas e desafios. Muitas vezes ele tem
que ir a campo acompanhando um pesquisador durante uma expedição
científica ou uma simples coleta de material biológico.
Nestas ocasiões ele faz anotações sobre
o tamanho e porte do vegetal, onde ele de desenvolve , como seus
ramos se distribuem naturalmente no ambiente .Os primeiros esboços
gráficos são ali mesmo elaborados, porque na maioria
das vezes quando colhemos um galho ou ramo da planta, antes mesmo
que cheguemos em casa ele terá se modificado perdendo
o brilho natural, murchando suas folhas e peças florais
fatalmente se desprendem de seus cálices pelo efeito da
desidratação do material. Quando a planta se encontra
em vaso, tudo fica mais fácil para transportar e acomodar
o material no estúdio . Outra dificuldade é adaptar-se
ao ritmo biológico da planta , isto é, para descreve-la
completamente temos que fazer registro conforme a época
de ocorrência dos elementos componentes. Assim , muitas
vezes , pintamos flores e folhagem numa estação
climática e aguardamos o período de ocorrência
dos frutos e sementes em outra estação, geralmente
de quatro a seis meses após. Com a prática o ilustrador
encontra meios de contornar e resolver esses problemas.
Qualquer pessoa que tenha interesse
em desenvolver a técnica de ilustração botânica,
sugerimos que inicie com exemplares que apresentem relativa facilidade
de representação, isto é, que possua formas
simplificadas, número pequeno de folhas, flores singelas
( não dobradas) , seguindo os passos acima descritos.
A finalização do trabalho em aquarela exige certamente
o desenvolvimento de técnica própria , como a aplicação
de camadas transparentes de tinta até se obter a tonalidade
e intensidade de cores desejadas. Por isso propomos ao iniciante
a finalização do trabalho em lápis de cor,
dada a facilidade técnica e resultados rápidos
.
No Brasil já se faz ilustrações botânicas
com alto grau de apuramento técnico e relativo virtuosismo,
como as famosas ilustrações botânicas inglesas
dos séculos XVIII e XIX, época em que essa arte
se firmou na Europa. Bem, mas esse é o assunto do próximo
artigo da série que propusemos . Até lá
, então.
Texto 3 - Breve relato
histórico sobre a Ilustração Botânica
no Brasil
ou O Brasil dos viajantes até Margaret Mee Ou ainda
Arte Botânica no Brasil- Já temos nossa história
Os
primeiros registros gráficos da flora brasileira perdem-se
no tempo do Brasil do século XVI quando os primeiros viajantes
percorreram as matas do país com os mais diferentes objetivos.
Desta época temos os relatos e cenas de Hans Staeden e
dos padres portugueses, porém foi com a vinda dos holandeses
para a Capitania de Pernambuco, no séc. XVII , chefiados
por Mauricio de Nassau, que a história da Ilustração
botânica no Brasil realmente se iniciou. Faziam parte da
comitiva de Nassau pintores como C. Peters, Frans Post e Albert
Eckhout que registraram principalmente a exuberância de
nossas paisagens tropicais costeiras.
Nos séculos seguintes o
país recebeu diversas expedições de cientistas
naturalistas que vieram com a incumbência de retratar,
descrever e coletar espécies vegetais, a maioria delas
desconhecidas para a Ciência. Nomes como Humboldt, Martius,
Spix, Langsdorf, Rugendas, Debret , Taunay e Hercules Florence
merecem destaque neste panorama de artistas e cientistas que
deixaram um legado gráfico e pictórico de grande
importância para o conhecimento da biodiversidade e paisagem
do passado.
No século vinte já temos a contribuição
de artistas brasileiros como Maria Wernek de Castro, Barbosa
Rodrigues, família Demonte , a equipe de Frederico Hoehne
do Instituto Botânico de São Paulo, dentre outros.
Foi contudo ainda uma inglesa , Margaret Mee que colocou a Arte
Botânica novamente em destaque entre nós , documentando
centenas de espécies em lindíssimas pranchas aquareladas.
Nos seus quarenta anos de trabalho no Brasil, realizou quinze
expedições a Amazônia, documentando a flora
nativa sendo que algumas espécies, desconhecidas para
a Ciência , levaram o seu nome de registro. Após
sua morte , em 1988, foi criada na Inglaterra a fundação
Margaret Mee Amazon Trust e no ano seguinte , no Brasil a Fundação
Botânica Margaret Mee . Ambas instituições
compartilham objetivos, dentre eles o de administrar bolsas de
estudo para botânicos, biólogos e artistas aquarelistas
que desejam se aperfeiçoar nesta arte. Fruto desses 10
anos de existência a FBMM já enviou a Londres até
o momento onze artistas, tendo o Paraná representantes
nesta listagem, com três bolsistas agraciados : Diana Carneiro
em 1997, Fátima Zagonel em 1999 e Anelise Nunes , atual
bolsista.
Os bolsistas tem a incumbência
de dar continuidade a proposta de Margaret Mee e formar novos
ilustradores. Para tanto foi criado neste ano o Centro de Ilustração
Botânica do Paraná , uma entidade sem fins lucrativos
que organiza, estimula e promove atividades como exposições,
palestras, e cursos livres . O Centro é aberto a todos
os interessados e para maiores esclarecimentos temos o endereço
eletrônico : cibp@netpar.com.br e também pelo telefone
(41) 667-2145.

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