ABRACC Ano II - nº 8
|
Miranda & Lacerda |
![]() |
|
Dendricola, medianamente robusta no gênero. Raízes foliformes, com até 2,5mm de diâmetro. Pseudobulbos agregados, fusiformes, eretos, verdes, durante seu ciclo de crescimento irregular e longitudinalmente sulcados e então revestidos pelas bainhas foliares remanescentes que com o tempo também se decompõem, com até 10 cm de comprimento e 3,5 cm de diâmetro. Folhas até 7 - 8 por pseudobulbo, oblongolanceolado, com bordos ondulados, arqueadas, atenuadas em pseudopescíolos para suas bases, verde-médias, com até 20 cm de comprimento e 4 cm de largura. Inflorescências masculinas arqueadas, verde-claras, 3 - 4 aneladas e aí com brácteas amplexicaules lanceoladas com até 1 cm de comprimento, com até 15 + flores resupinadas, eretas, agrupadas nos 3/5 da ráque, com até 30 cm de comprimento e 3,5 mm de diâmetro. Brácteas florais apressas aos pedicelos, triangulares, com até 1,2 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro. Sépalas róseo-esverdeadas com pequenas e numerosas máculas róseo-castanhas que às vezes chegam a se fundir em áreas sólidas, lanceoladas, a dorsal ereta e ligeiramente côncava, com até 3 cm de comprimento e 1,2 cm de largura, as laterais fortemente reflexas a ponto de torcerem o pedicelo, côncavas, com até 3 cm comprimento e 1,5 cm de largura. Pétalas com a mesma coloração, apenas máculas mais largas transversalmente, maiores e menos numerosas, oblongo-lanceoladas, convexas, com até 2,8 cm comprimento e 7,5 mm de largura. Labelo em posição natural voltado para baixo, carnoso, em vista frontal subtriangular mais estreito para o ápice, carnoso, na base de 3-9 longos dentes agudos agrupados, um tanto achatados lateralmente e voltados para a frente, o central mais desenvolvido, no terço basal fortemente anguloso e côncavo formando relativamente pequena, porém, profunda cavidade com cílios longos e irregularmente fendidos nos seus bordos, no terço médio mais aplanado e estreitado com bordos mais tenuamente ciliados, no terço apical tenue e progressivamente reflexos, mais alargados, com a presença de característica calosidade à semelhança de coroa irregular fortemente carnosa, nos bordos com cílios variavelmente longos dependendo do indivíduo, com até 2,5 cm de comprimento e 1,5 cm de largura na porção basal e 1,3 cm de largura próximo ao ápice incluindo as fímbrias; a coloração é alvo-esverdeanda a qual, assim como as fímbrias, é facilmente maculada em róseo-castanho para a base, robusta, carnosa, ereta, mais estreita para a base, transversalmente subtriangular e com longo, tenuemente sigmoide e agudo rostro, com até 2,4 de comprimento e 6,5 mm de largura, com antenas longas e relativamente robustas, bem mais longas que a coluna, paralelas um pouco voltadas para a frente e se estendendo por entre os dentes basais e terminando sobre a cavidade do labelo, com até 1,3 mm de comprimento, com antera verde-alvacenta, subtriangular, rostrada. Inflorescências femininas não observadas. Etimologia: Nome homenageando a localidade de origem. TIPO: BRASIL, Estado do Maranhão, Município de Carolina, epífita em palmeira na terra firme, coll Miranda 785B, 21.III.1984 ex cult. Kleber G. Lacerda (HB - flores masculinas) Catesetum carolineanum parece ser uma espécie relativamente comum em seu habitat, e já temos contato com a espécie há muitos anos. Nunca houve dúvida quanto ao fato de que se tratava de espécie desconhecida, apenas é um daqueles casos de material acumulado que acaba indo para o esquecimento até que as gavetas são limpos. Catesetum carolineanum produz flores características. A uma primeira vista, lembra aquelas do complexo Catesetum barbatum Lindl., mas a um exame mais cuidadoso mostram as diferenças expressas, principalmente no labelo. Para começar, este é muito mais carnoso na nova espécie, além de ser bem mais largo nas porções basal e apical, com forte estreitamento na porção central. A calosidade basal e diferenciada em numerosos dentes agudos e, característica mais óbvia, a calosidade na porção frontal e carnosissima e tem forma de uma corôa irregular. Seus bordos apresentam cílios relativamente curtos e irregularmente fendidos, mais numerosos e longos na porção basal. A coluna também é bem diferente daquela no citado complexo. Em Catasetum carolineanum é bem mais robusta e larga na porção média, apresentando antenas bem mais desenvolvidas que se dispõem entre os dentes da calosidade basal e se estendem até sobre a cavidade no terço basal do labelo. Finalmente, a coloração é também completamente diferente e não ocorrem na região espécies do citado complexo. |