ABRACC Ano IV N. 16

 Catasetum galeatum Lacerda

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in Bradea VM:16,p. 85-88, 09.9.1998.

Kleber Garcia de Lacerda Jr.

Trata-se de uma espécie recentemente descrita natural da região Norte do Brasil. Estado de Rondônia. Segue-se cópia de sua descrição.
Epiphyta mediocres.Inflorescentia mascula pêndula, in dinlidium satis brevi. Petalae et sepalae oblongae-lanceolatae conchatae qui columna et labello parti involverit. Labello supero, saquiformis, carnoso, marginibus reflexis, usque 10 cristae longerioribus usque basis in totum saquiformis partis posit. Antennae paralellae, convergentis, brevae, usque 4 mm longi, cum extremitatis usque medium partis labello num superante et sine superficies affingere.

Epífita, pouco robusta para o gênero. Raízes filiformes, com até 2,3 mm de diâmetro. podendo originar raízes adventícias mais delgadas. Rizoma curto. Pseudobulbos com até 8 cm de comprimento por 3,2 cm em seu maior diâmetro, agregados, multianelados, fusiformes, eretos, verdes, quando em fase de crescimento lisos. recobertos com as folhas basilares, posteriormente
sulcados longitudinalmente, recobertos então pelas bainhas foliares.
remanescentes que com o tempo também se decompõem. Folhas até 6 por pseudobulbo, verdes, oblongo-lanceoladas, levemente arqueadas. com até 25 cm de comprimento e 6,5 cm na maior largura. Inflorescências masculinas basais 1 a 3, com 12 a 21 cm de comprimento. emergindo do pseudobulbo quando este completa seu desenvolvimento, pendentes desde o inicio, com bráctea amplexicaules lanceoladas até 4 desde a base à metade da raque, a partir de onde apresentam até 15 flores não ressupinadas. Brácteas florais triangulares, apressas aos pedicelos, com 0,6 cm de largura na base e 0.6 cm de comprimento. Pedicelos cilíndricos, pendentes, com 0,5 a 1,1 cm de comprimento e 1,5 mm de diâmetro na porção mediana, de coloração verde clara, distantes entre si de 0,4 a 1,3 cm. Sépalas oblongo-lanceoladas, agudas, côncavas, com bordas lisas, a dorsal simétrica com 1,7 cm de comprimento por 0,7 cm de largura, as laterais ligeiramente assimétricas, com 1,8 cm de comprimento por 0,8 cm de largura, pétalas oblongo-lanceoladas, côncavas, simétricas, com 1,7 cm de comprimento por 0,8 cm de largura, quase totalmente encobertas pela sépalas. Labelo supero, carnoso, cuculado, com 1,0 cm de comprimento e 1,3 cm de largura, com porção saquiforme relativamente pequena mais próxima da frente e com cerca de 0,5 cm de fundura desde a borda anterior; cristas 8 a 10 longitudinais e paralelas estendendo-se na porção mediana do fundo do labelo desde sua inserção na coluna até a parte apical da borda, onde se atenuam, margem em todo seu perímetro mais espessa c reflexa. Elementos florais de coloração totalmente verde com o labelo mais claro ou verde amarelado ou toda a flor amarela com o labelo amarelo escuro ou parcialmente alaranjado. Coluna com 1,4 cm de comprimento e 0,5 cm de largura, acuminada, com rostro encurvado, antenas paralelas com 0,4 em de comprimento, convergindo distalmente e dirigindo-se à superficie interna do fundo do labelo sem se encostarem no mesmo. Antera verde clara, bilocular, subtrigona, com 6.5 mm de comprimento e 1,7 mm na maior largura; polineas 2, amarelas, stibovóides, assimétricas, com ampla fenda longitudinal, com 2,5 mm de comprimento por 0,9 mm de largura; caudículos minúsculos elásticos, estípete com 3,8 mm de comprimento por 1,5 mm na sua maior largura; disco do viscídeo com cerca de 1,3 mm de diâmetro. Inflorescências femininas não observadas.
Etimologia: Nome em referência ao aspecto de elmo do labelo supero das flores masculinas (lat. galea = elmo).
Tipo: BRASIL, Estado de Rondônia. mun. Jaru, lat. 10º26'2'0"S, alt. 124 m, epífita em palmeira coll. K.G. de Lacerda Jr. 398, II.1991. florindo em cultivo em IV 1994 (HOLOTIPO: BHCB 40.939 - flores masculinas): Estado de Rondônia, mun. Porto Velho, rio Jamari, lat. 08º45'43" S. alt. 90 m em tronco de árvore morta, coll. J. B. F. da Silva 300, II. 1994. florindo em cultivo em I.1998 (PARATIP0: MG 146.065 - flores masculinas): Estado de Rondônia. min. Ariquemes. lat. 09º54'48" S. alt. 142 m em palmeira, coll. Altamir Soares 3527, 15.XI. 1997, florindo em cultivo em M. 1998 (PARATIP0: BHCB 42.849 - flores masculinas).

Habitat e floração: Norte do Brasil. no Estado de Rondônia. epífita em palmeiras ocorrentes em matas de terra firme, a altitudes de 90 a 400 m, e em troncos de árvores mortas em várzeas. As vezes em pleno sol. Floresce depois que o pseudobulbo completa seu desenvolvimento vegetativo, mesmo após a queda das folhas, 1 a 2 vezes nos primeiros meses do ano, podendo ocorrer 2 inflorescências masculinas simultâneas.
Comentários: 0 Catasetum galeatum apresenta pequeno porte dentro do gênero, compatível á grande maioria das plantas de Ctsm ariquemense Miranda & Lacerda e Ctsm complanatum Miranda & Lacerda, com os quais pode coexistir no Estado de Rondônia. Entretanto. como nestas outras espécies, não se pode descartar a possibilidade de existirem plantas de porte maior. É aparentemente menos ocorrente do que as demais espécies de Catasetinae encontradas na região.

Diagnose diferencial: A diferenciação desta espécie deve ser feita com outras da seção Isoceras que têm labelo supero, saquiforme ou conchiforme e carnoso. Cutasetum complantatum Miranda & Lacerda também possui flores masculinas amareladas em inflorescência (pelo menos terminalmente) pendente, mas elas são maiores. com pétalas e sépalas reflexas expondo totalmente o labelo infero. Catasetum coniforme, Ctsm Schweinf. tem inflorescências masculinas arqueadas, com flores um pouco maiores que Ctsm galeatum, verdes com manchas castanhas avermelhadas, apresentando labelo com margens menos espessas, serrilhadas e não reflexas, com calo basal amplo e carnoso. 0 labelo supero com margens espessas, reflexas e a presença das cristas paralelas longitudinais na sua superficie interna distinguem com facilidade Ctsm galeatum das demais espécies.