|
. . Trata-se de uma espécie de Catasetum (Kunth)
L. C. Rich. (Catasetinae, Orchidaceae), subgênero Orthocatasetum,
seção lsoceras, ocorrente na Região Nordeste
do Brasil. Segue-se descrição conforme original.
Epiphyta robusta. Pseudo-bulbi
fusiformae longati. Folii lanceolati curvi. Inflorescentia, mascula,
flores in tertio terminali. Petalae et sepalae elipticae, acutae,
concavae, tangendo columnam et lobi laterali labelli. Labello
inferior, globoso, carnoso, trilobato, lobi lateralli ereti cum
margi laevi aut ciliati, lobo mediano acuto cum margi laevi,
ostio labelli lato, subquadrato. Antennae, paralellae, convergenti,
in interiori superficies saccato pars labelli.
Epífita em palmeiras, robusta para o gênero. Raízes
filiformes com até 2,4 mm de diâmetro, podendo originar
raízes adventicias mais delgadas. Rizoma curto. Pseudobulbos
com até 30 cm de comprimento por 4,0 cm em seu maior diâmetro,
agregados. multianelados, fusiformes, ligeiramente inclinados
e por vezes curvados para baixo, verdes, quando em fase de crescimento
lisos recobertos com as folhas basilares, posteriormente sulcados
longitudinalmente, recobertos então pelas bainhas remanescentes
que com o tempo também se decompõem. Folhas até
13 por pseudobulbo, verdes, oblongo-lanceoladas, arqueadas para
baixo, com desde 15 cm de comprimento e 2 cm de largura até
35 cm de comprimento e 4,8 cm na maior largura, próxima
à base. Inflorescências masculinas basais 1 a 3,
com até 42 cm de comprimento, emergindo do pseudobulbo
durante o desenvolvimento do mesmo, inicialmente quase horizontais,
com brácteas amplexicaules lanceoladas até 7 desde
a base até o terço distal; da raque, a partir de
onde arqueiam-se mais acentuadamente e apresentam flores ressupinadas
até 31. Brácteas florais triangulares, apressas
aos pedicelos, com 0,6 cm de largura na base e 1,0 cm de comprimento.
Pedicelos cilíndricos, sig-móides, com até
1,7 cm de comprimento e 1,4 mm de diâmetro na porção
mediana, de coloração verde, dispondo-se em seu
âmbito quase horizontalmente, com espaçamentos variáveis
entre 0,3 e 1,8 cm. Sépalas verdes claras, podendo apresentar
pigmentação castanha puntiforme, elípticas,
agudas, fortemente côncavas, com bordas lisas, a dorsal
simétrica com 1,6 a 1,8 cm de comprimento por 0,7 a 1,1
cm de largura, cobrindo parcialmente as pétalas. as laterais
assimétricas, com 1,7 a 1,8 cm de comprimento por 0,7
a 1,1 cm de largura, cobrindo quase totalmente as pétalas
e os lobos laterais do labelo; pétalas verde claras podendo
apresentar pigmentação puntiforme castanha elípticas,
côncavas, simétricas, com 1,7 a 1,8 cm de comprimento
por 0,8 a 1, 1 cm de largura, cobrindo o dorso da coluna e bordas
dos lobos laterais do labelo; quando a flor está prestes
a fenecer estes elementos refletem-se um pouco expondo mais a
coluna e os lobos laterais do labelo. Labelo ínfero, globoso,
carnoso, saquiforme oblongado, verde com o interior mais claro
ou amarelo esverdeado com estrias longitudinais verdes, trilobado,
lobos laterais eretos até a altura da coluna, ocultando-a
lateralmente, com margens lisas ou serrilhadas ou ainda discretamente
ciliadas, lobo apical pequeno, mais espesso, com margem lisa
e a extremidade acuminada trigono aguçada; óstio
do labelo relativamente amplo, subquadrado com 0,9 a 1, 1 cm
de largura e 0,7 a 0,9 cm de altura desde o ápice até
o rostro da coluna; porção saquiforme com 1,6 cm
de fundura. Coluna com 1,2 cm de comprimento e 0,4 a 0,5 cm de
largura acuminada, com rostro encurvado, antenas paralelas com
0,95 a 1,30 cm de comprimento, convergindo distalmente e dispondo-se
sobre a superfície interna do fundo do labelo, acompanhando
sua curvatura em sentido anterior. Antera verde alvacenta, bilocular,
subtrigona, curtamente rostrada, com 0,5 cm de comprimento e
0,28 cm na maior largura; políneas 2, amarelas, subovóides,
assimétricas, com ampla fenda longitudinal, com 0,36 cm
de comprimento por 0, 17 cm de largura; caudículos minusculos
elásticos, estipete com 0,4 cm de comprimento por 0,23
cm na sua maior largura; disco do viscídeo com cerca de
0,25 cm de diâmetro. Inflorescências femininas não
observadas.
Etimologia. Nome em homenagem
ao Estado do Maranhão, de onde procederam as primeiras
plantas estudadas, em 1983.
Habitat e floração.
Nordeste do Brasil, nos Estados do Maranhão, Piauí,
Ceará e Tocantins, epífita em palmeiras de babaçu
(Attalea speciosa Mart. ex Spreng) ocorrentes em matas de galeria
de cerrado, a altitudes de 70 a 400 m. Floresce predominantemente
nos meses de março a junho em seu habitat natural, até
3 vezes ao ano.
Comentários. 0 Catasetum
maranhense foi estudado a partir de 1983 em material
coletado, em palmeiras babaçu por João Batista
F. da Silva no município de Tuntum, no Estado do Maranhão,
quando floriu em junho deste ano em cultivo de Kleber G. de Lacerda
Jr. Nesta mesma região foram encontradas espécies
de Catasetum do complexo cristatum. Posteriormente, em março
de 1992, floriram em cultivo plantas coletadas em Teresina, Estado
do Piauí, com semelhanças tanto na parte vegetativa
quanto na morfologia floral e fenologia. Outras coletas desta
espécie foram feitas nos municípios de São
Domingos do Maranhão (JBFS 90), Tutóia (JBFS 350)
e Alto Parnaíba (JBFS 349), Estado do Maranhão,
em Esperantina (JBFS 338), no Estado do Piauí, e em Nazaré
(JBFS s/n) e Tocantinópolis (JBFS s/n), no Estado de Tocantins;
material depositado MG. Há evidências de prováveis
híbridos naturais entre Ctsm maranhense
e espécies de Catasetum com complexo cristatum, com prevalência
relativamente grande na região onde coexistem no Maranhão.
Apesar de haver sido citado para vários Estados, foi encontrado
sempre na mesma espécie de palmeira, o babaçu (Attalea
speciosa Mart. ex. Spreng), abundante em matas de galeria de
cerrados, mais úmidas. |